13 setembro 2009

As Frutas

Quando, em Poções, eu ia ajudar meu primo Fernando a colher limas, no quintal da casa de tio Luis, as instruções eram precisas e detalhadas: tinha que cortar pelo talo, para que as limas se conservassem mais tempo e depositar na cesta com cuidado, sem nunca jogar, para não amassar e amargar. No meio da quente manhã estávamos liberados para chupar quantas limas quiséssemos. Era um prazer para os olhos e para o paladar ver e degustar aqueles gomos simétricos e suculentos exalando um odor convidativo.

José e Luis Fidelis Sarno

O quintal da casa de tio Luis era, como todos os quintais dos outros tios, uma bela mistura de flores e frutas. Ele, com seus dedos curtos e voz grossa falava carinhosamente das experiências com maçãs, pêras, ameixas e novos tipos de uvas que ele estava sempre tentando fazer vingar.
Situados entre a tórrida Jequié e a fria Vitória da Conquista, os italianos em Poções, por cultura e teimosia sempre tentavam fazer florescer algumas frutas de clima temperado. Houve mesmo uma experiência em um sítio, perto da Rodovia Rio-Bahia, que chamávamos de Casa Branca, onde meu pai tentou iniciar uma plantação de uva, associado com Gringo Lamêgo e Miguel Lopes. Como se dizia na época, “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Acho que as formigas, seguindo o refrão, começaram acabando com as parreiras da Casa Branca. Assim, as uvas continuaram restritas aos quintais dos “gringos”, como éramos chamados, sem ressentimentos, pela população local.
Mas a batalha contra as saúvas não terminara. Por vezes, quando vínhamos à noite do Cine Teatro Santo Antonio , meu pai, ao ver uma fila de saúvas pedia-me para ir buscar a lanterna e seguíamos meticulosamente a trajetória das inimigas. No dia seguinte voltávamos com os armamentos adequados e tentávamos aniquilá-las pulverizando “pó de broca”. Nos quintais a defesa natural contra saúvas e outros insetos eram as galinhas que, automáticamente bicavam todos os seres perniciosos e minúsculos que aparecessem.

Angelina Grisi Sarno - Aninna Sarno e crianças

Podar e enxertar eram duas atividades que meu pai se dedicava com especial interesse. Os habitantes de Poções já não estranhavam quando Corinto Sarno aparecia na Rua da Itália de suspensórios, mangas curtas e capacete colonial, com uma foice pequena e gorducha nas mãos. Eu conduzia uma vara, na ponta da qual havia uma espécie de tesoura que era acionada por um cordão que vinha até em baixo. E lá íamos nós podando as árvores de ficus, que embelezavam a nossa rua. Na época em que apareceu um pequeno inseto perturbador, por isso logo apelidado de “lacerdinha” em alusão ao governador Carlos Lacerda, a poda foi mais rigorosa.

Aninna Sarno e Lelinha Pithon

Os enxertos eram feitos principalmente nas parreiras e nos cítricos. Tínhamos um pé de laranja que produzia simultâneamente laranja pêra e de umbigo. Para fazer os entalhes meu pai usava um canivete “Corneta”, inseparável e amoladíssimo. Depois de encaixados, os entalhes eram revestidos com barro, seguros por um retalho de pano e amarrados com caroá, um barbante macio feito de sisal. As mudas enxertadas ficavam em uma espécie de berçário, junto ao pé de abacate e meu pai cuidava delas com carinho e orgulho. Ali ficavam também as mudas de parreiras e mangas que ele preparava para dar de presente.
Na época da poda da parreira, ele separava meticulosamente com a pequena foice as partes que se prestavam para fazer muda. E o serviço era completo. Além de aguardar que as mudas pegassem, ele ia levar e plantar na casa do “freguês”, que era como gostava de se referir às pessoas em geral. Depois de crescidas ele orientava como pulverizar com enxofre, na época adequada e como fazer a poda. Vitalino, um empregado do armazém da firma V.Sarno & Irmãos chegou a produzir em seu quintal uvas suficientes para vender.

Parreira da casa de Corinto Sarno

As uvas eram um capítulo especial. Tinha da roxa, da branca – moscatel - e uma pequena doce que só tio Luis tinha. De todas, as nossas eram reconhecidamente as melhores, talvez pela proximidade da parreira com a casa, o que levava meu pai a ter um cuidado quase diário com ela. A moscatel ficava entre a copa e nossos quartos, em um jardim interno, e ela parecia retribuir a proximidade, tal a beleza e delícia das uvas. Talvez daí a simbiose que se estabeleceu entre meu pai e as árvores. Quando ele adoeceu elas também foram definhando e todos comentavam que sem “seu” Corinto as frutas não eram como antes. Ele sempre nos recomendava : tire um cacho mas não tire uma uva, pois sabia que uma uva tirada atraia insetos, prejudicando as outras uvas. Seguindo a recomendação, subíamos no tanque e nos deliciávamos com as uvas. Até na loja da Casa Sarno, que tinha um minúsculo quintal, florescia uma parreira e um pé de figo ainda viventes.

Camilo Sarno

Era uma obra de arte ver Corinto Sarno descascando e comendo uma manga. Para começar não era uma manga qualquer. Era uma manga Augusta, cujo caroço ele havia recebido do irmão Vicente. E ele cuidadosamente plantou não no quintal mas no jardim, ficando em frente à janela do seu quarto. Na verdade o irmão havia enviado uma caixa de mangas, mas como demoraram a chegar só restaram os caroços das mangas estragadas.
Era uma mangueira frondosa e afamada. Os sobrinhos e amigos procuravam sempre identificar a procedência da manga quando ganhavam uma, e a Augusta era a mais disputada. Grandes, bonitas, de cor e odor sem igual eram sempre colhidas com o corrupixel. Esta palavra estranha que deriva do francês “clocher”: sino, deu nome à vara com o saquinho em forma de sino, amarrado na sua extremidade.
Era diante de semelhante fruta que Corinto, de faca e garfo descascava jeitosamente e degustava aquela polpa quase sem fibras. Era o prêmio pelo cuidado que ele havia tido com a árvore. O caroço ele não chupava, era disputado pelas minhas irmãs, que o deixavam careca.

Aninna Sarno e Garibaldo Santana

Sempre que tinha alguém viajando para Salvador, de ônibus ou carro próprio, tio Luis perguntava se podia levar um “pacotino” com frutas para algum tio, sobrinho ou amigo. Este era o nome genérico que ele usava para qualquer tamanho de pacote e por vezes nos surpreendia com “pacotões” que sabíamos não poder demorar de entregar, por se tratar de frutas! Como já estávamos acostumados, e reconhecíamos a sua boa vontade de arrumar as frutas cuidadosamente com cavaco da marcenaria de Giovanni Sola, quase sempre o “pacotino” ("pacchettino") chegava ao seu destino. O “quase” fica por conta de um pecado cometido por m Pepone eu e Heraldo Curvelo: ao invés de levar o “pacotino” resolvemos, por pura molequeira, devorar o conteúdo...

Léa Sarno e Cristina

Todos nós respeitávamos as frutas. Mesmo os marmelos e laranjas que vinham da fazenda, trazidas por tio Luis na camionete, dentro de grandes panacuns de cipó, chegavam sem nenhum machucado e eram guardados em largas prateleiras nas despensas.
Mas, um dia, um grande pecado foi cometido pela nossa turma. Uma tarde, estando no quintal de tio Emílio, achamos por mal badocar os abacates da casa de José Schettini. Os abacates ainda estavam verdes, mas os longos talos em evidencia ensejaram uma disputa para ver quem derrubava mais. No final da tarde um triste Schettini levou um cesto de abacates abatidos e incriminadores para o escritório de meu pai.
Havia um pé de laranja flor – ou laranja lima, como também se diz – perto da copa, onde fazíamos as refeições, que de tão bonitas as laranjas eram por nós, primeiro admiradas e depois consumidas, nas frias noites de junho.
Além das frutas nobres, de primeira linha, como as uvas e mangas, havia as outras, não menos cuidadas e apreciadas. O figo era uma delas, nas variedades pretas e verdes, não se sabendo nunca qual o mais doce e saboroso. Nessa pesquisa, os passarinhos também participavam com afinco. Vai daí certa tolerância que meu pai tinha com os badoques que usávamos. Por vezes meu pai chegava a envolver alguns figos em saquinhos de pano para protegê-los da ação dos assanhaços. (Foto- Ada Sarno)
O abacateiro quando estava carregado, parecia uma árvore de natal tropical, e das folhas secas minha mãe fazia um chá delicioso. O pé de tamarindo nos dava frutas que, mesmo doce nos provocava caretas. As pinhas disputavam com as graviolas quem daria a polpa mais gostosa. No pé de romã, quando elas se abriam já podíamos antever o gosto azedinho de seus bagos. O jambo – aquele pequeno amarelo – já antecipava pelas suas belas flores o gosto adocicado que teria o fruto. O pé de vinagreira, com suas ramagens enormes que chagava a nos esconder e onde nunca éramos capazes de achar todas as suas frutinhas negras e maduras. Havia também um alto e belo coqueiro, no fundo do quintal e até fruta de palma ao lado da qual florescia um pé de marmelo. Dos cítricos tínhamos a lima, a laranja pêra, flor e de umbigo e o limão. O mamão havia o macho e fêmea, o que nos deixava intrigados. Como o mamão não era saboroso a sabedoria do meu pai e a esperteza de minha mãe inventaram o mamão com laranja e açúcar, uma delícia. Apesar das tentativas, os italianos não conseguiram produzir maçã e pêra. O sucesso só ocorreu com o pêssego. Quanto ao maracujá, apesar de se consumir o fruto, a flor era a mais admirada.
Quando tínhamos alguma doença prolongada, como sarampo ou catapora, meu pai encomendava de Salvador, pelos viajantes, maças e peras importadas da Argentina. Era a sua forma de nos fazer um mimo, de demonstrar o quanto éramos importantes para ele.
Também vinha, nessa ocasião a gasosa da Fratelli Vita. Estar doente, para nós, tinha os seus sabores especiais de frutas.

Eduardo Sarno
Setembro.1998

31 agosto 2009

Os Livros

Na nossa casa em Poções, no canto da sala de jantar, havia um pequeno móvel sobre o qual ficava o grande rádio Phillips de válvulas. Embaixo do rádio, em uma prateleira, alinhavam-se os livros que estavam sendo lidos. Lembro que dois livros ali permaneceram por muito tempo, e sempre citados por meu pai. Um era sobre a trajetória de Jânio Quadros, a quem ele admirava, acreditando que a vassoura janista iria varrer a sujeira do país. O outro era “E a Luz se fêz – o romance da astronomia”, de Rudolf Thiel. Meu pai citava os dados e informações dos livros com um entusiasmo contagiante.
Os outros livros e coleções da casa eram guardados no “quarto de Santo”, assim chamado porque abrigava o nicho com as imagens da nossa devoção, capitaneadas pelo Menino Jesus.
Ficavam em uma estante aberta, de madeira preta torneada. A maior era a “Coleção Saraiva”, do nome do fundador da editora. Estes livros tinham sempre uma tarja amarela na capa, que os identificavam facilmente.
Os títulos eram os mais diversos, tanto da literatura nacional como estrangeira. Os desenhos da capa eram impressionantes. Havia um em que enormes ratos invadiam a cidade e aquela imagem fantástica sempre me perseguiu. Era o romance “O Alimento dos Deuses”, de H.G. Wells.(foto)

Só as capas eram ilustradas, mas elas tinham o poder de criar em nossas mentes uma imagem e uma configuração das cenas e personagens que nos acompanhavam pela vida afora.
O livro “Viagem à Aurora do Mundo”, de Érico Veríssimo, narrando o mundo na época dos dinossauros me impressionou vivamente. Eu passei a conceber a história como antes, durante e depois dos dinossauros.
A “Biblioteca das Moças” só tinha por leitoras minhas irmãs. Eram romances "água com açúcar", que se limitavam aos envolvimentos afetivos e emocionais num rápido contexto social.
Recebiam de nossa parte uma eventual folheada a revista “Alterosa”, editada em Minas Gerais ,que tratava de variedades femininas , assim como a “Vida Doméstica”. Só muito raramente também líamos “Grande Hotel” e mais tarde “Capricho”, que eram revistas de foto-novelas. Nelas as histórias eram narradas em quadros fotografados e não desenhados.
Editada pela Vecchi, a revista “Grande Hotel” só trazia foto-novelas produzidas na Itália. Lembro de um desses dramas que começava com um jovem que havia fugido da prisão e conhecia a vendedora de uma loja de discos. Óbviamente a evidencia da inocência do jovem só surgia no final da trama.
A revista “Seleções do Reader’s Digest” “artigos de interesse permanente condensados em formato de livro” chegava mensalmente. A coleção já estava tão grande que havia um baú na despensa, onde eles eram colocados. Meu pai, além de ler, citava suas informações e opiniões nas suas conversas, para reforçar a credibilidade e ilustrar o assunto. Praticamente “Seleções” substituía uma enciclopédia e moldava um ponto de vista, porque eram artigos de fundo sobre todas as áreas do conhecimento humano. Nós também líamos muito e nos acostumávamos àquela redação homogênea e ao modo americano de descrever “meu tipo inesquecível” e de contar piadas, acreditando que “rir é o melhor remédio”. Durante muitos anos pratiquei alguns exercícios físicos que eram sugeridos em um artigo tipo “oito segundos de ginástica”, com bons resultados.
Em abril de 1946, no pós guerra, data em que eu nasci, a edição mensal de Seleções trazia um artigo prevendo que a Europa se organizaria como os Estados Unidos, um outro advertindo que entramos na era das microondas, outro afirmando que será lenta a industrialização da China e ainda outro sobre como aprender a conviver com os russos. As edições para a América Latina eram impressas em Cuba e até na propaganda o clima de pós guerra prevalecia : os helicópteros Sikorsky “os únicos usados durante a guerra” agora “vestem-se à paisana” e a General Motors, cuja “qualidade forjou a Vitória agora forja o Progresso !” Também os controles eletrônicos, fabricados pela Honeywell Brown para os bombardeiros, agora estavam adaptados aos aparelhos de ar condicionado. Nesta edição até Gary Cooper aparecia fazendo propaganda de lâminas de barbear...
As revistas adultas chegavam primeiro no balcão da Casa Sarno. Eram “O Cruzeiro” e “A Cigarra”. A página mais procurada era a do “Amigo da Onça”, de Péricles, publicada em ”O Cruzeiro”, e depois colecionadas por minha irmã Aurora. Estas revistas traziam as novidades do Brasil e do mundo, as reportagens mais diversas e a opinião de David Nasser. Por serem ilustradas eram um poderoso instrumento da nossa compreensão visual do mundo. Tinham um cheiro característico de papel novo que nos deixava inebriados. Era ali que víamos as primeiras moças vestidas de maiô, personagens de incipientes sonhos eróticos.
Na parte da formação religiosa, além da leitura de vidas de santos em publicações piedosas e do missal quotidiano, editado pelos beneditinos em Salvador, minha mãe era assinante de um jornalzinho chamado “Mensageiro da Fé” e eu de outro intitulado “Amigo da Infância”, ambos editados pelos frades franciscanos também em Salvador. Eu lia com prazer aqueles artigos leves e fazia todos os jogos e diversões que vinham impressos, principalmente o de localizar figuras em uma paisagem.
Uma leitura obrigatória para o rito de passagem era o Catecismo da Doutrina Cristã, que precedia a primeira comunhão.

O meu exemplar (foto) esclarecia na folha de rosto: “Guia ao Céu – para todas as classes de pessoas”, e trazia a dedicatória de minha irmã Tereza: “Eduardinho, que Jesus habite sempre no seu coraçãozinho e não se esqueça de pedir a N. Senhor pelos maninhos – Tereza e Amarílio – 28 de Maio de 1955”.
Havia um livro , “México Mártir”, que narrava o sofrimento dos cristãos mexicanos, vitimas dos comunistas, que queriam fazer a reforma agrária. Como, felizmente, a primeira leitura nem sempre é a que permanece, depois percebi que os “cristãos” na verdade eram os conservadores, os grandes proprietários rurais.
A coleção que mais nos marcou foi a de Monteiro Lobato. Os nossos exemplares eram forrados de pano e as muitas ilustrações nos deixavam uma forte convicção de realidade virtual. Os personagens e as situações nos eram familiares em muitos aspectos e o desejo de absorver todo aquele conhecimento e informações fazia com que toda a coleção fosse lida de uma assentada. Nossa casa ficava povoada de Pedrinhos e Narizinhos, supervisionados por D.Benta e Tia Anastácia.
Em geral a censura era feita por Tereza, minha irmã mais velha, que decidia e escolhia o que os outros irmãos podiam ler. Havia também uma coleção de livretos da editora Melhoramentos sobre a mitologia grega que nos levava a um universo distante e imaginário.
“A Toutinegra do Moinho”, (1) de Emilio Richebourg, era o gênero de romances preferidos de minha mãe. Ela só nos permitia a leitura fora do horário “comercial”, ou seja, antes das oito da manhã, depois do almoço e à noite, depois do jantar. Havia porém o inconveniente da luz, pois usávamos o “Aladim”, cuja claridade atraia uma multidão de insetos voadores. Depois, quando meus tios instalaram um motor próprio passamos a ter luz elétrica normal, mas só até dez horas da noite.
Havia uma revista policial chamada “X-9”, que trazia contos sobre crimes nos Estados Unidos. Na parte central havia paginas amarelas, com fotos e relatos de grandes crimes reais. Na gíria, o informante da policia, por causa desta revista, passou a ser chamado de X-9.
Antes da Segunda Guerra Mundial havia em Poções a “Associazione Italiana Dopolavoro Umberto Maddalena” (2)(foto) que funcionava onde hoje é a residência de Luís Sarno, que na época era o bibliotecário.

Os livros podiam ser tomados de empréstimo e lidos em casa. De Dante havia obviamente “La Commedia”, catalogado como número 12, e “O Príncipe”, de Macchiavelli, ofertado por Giuseppe Grisi, de número 57.(fotos)




Depois da Guerra os livros desta biblioteca não mais circularam, e em nossa casa não havia nenhum livro em italiano nem recebíamos jornais ou revistas da Itália. Só mais tarde, quando veio da Itália o último casal de parentes, Giovanni e Lina Sola foi que ele trouxe catálogos de marcenaria e ela revistas de figurinos e moda, além de livros didáticos.
Quando eu estudava no Seminário, em Amargosa, era o encarregado de uma pequena livraria que atendia aos colegas. Fazia os pedidos para São Paulo, nas editoras Vozes, Herder e recebia tudo normalmente. Certa vez avisei a meu pai que havia feito um pedido de alguns livros para mim, e que seriam entregues em Poções. Passado algum tempo recebi uma carta dele avisando que os livros haviam chegado, mas perguntando para que eu precisava de tantos livros ! Foi então que percebi que a editora havia se enganado, enviando para Poções o pedido que era para o Seminário, com mais de 100 exemplares !

Eduardo Sarno
Setembro.1998

(1) – Toutinegra é um pássaro de plumagem escura e canto ameno.
(2) - Herói da aviação italiana, falecido em 1931.

25 julho 2009

Sobrenomes Italianos na Bahia


Italianos na Festa da Befana na Casa D'Itália

Sociedade Civil "Casa D'Itália" - fundada em 25 de Janeiro de 1893

Este é o início de uma lista simples de sobrenomes italianos na Bahia, que completaremos aos poucos. Muitas lacunas serão preenchidas pelos leitores deste Blog, a quem antecipadamente agradecemos as informações e correções que certamente serão enviadas.
Uma lista mais completa comportaria a divisão mais detalhada dos sobrenomes no tempo, abrangendo o período da Colônia, Império e República. Mesmo com eventuais exceções, limitaremos nossa lista até o ano de 1960. Consideramos que a partir desta data, a vinda de italianos, principalmente de técnicos e executivos para as atividades industriais, descaracteriza a conotação histórica de imigrantes. Muitos deles vieram do sul do Brasil, onde de fato estão radicados.
Considerando o ano de 1500 como ponto de partida, é compreensível que muitas informações sejam falhas, e que nem todos os italianos se enquadrem na caracterização clássica de imigrantes. Muitos foram simplesmente viajantes de passagem pela Bahia, ou artistas e profissionais diversos que aqui estiveram temporariamente. Outros, como os Adorno, estiveram presentes desde o início da ocupação da terra Brasil até os dias de hoje. Anos atrás uma descendente Adorno teve a honra de representar a figura da índia, nas comemorações do 2 de Julho, data da libertação da Bahia do domínio português.
Esta lista também só contempla os sobrenomes, e não os indivíduos, caso contrário se tornaria um dicionário onomástico. Sendo assim, é possivel apenas estimar a quantidade de italianos que estão/estiveram na Bahia através da lista de sobrenomes.
As fontes da informação nem sempre serão indicadas. Quando a indicação da fonte facilitar a elaboração da lista então haverá uma referencia.
Muitos sobrenomes italianos atualmente indicam apenas um cidadão(a) brasileiro(a),cujos sobrenomes foram herdados de gerações passadas, sem que os descendentes tenham nem a nacionalidade nem a ligação com a cultura italiana. É, por exemplo, o caso de algumas mulheres brasileiras que ficaram viúvas e mantiveram o sobrenome italiano.
Os sobrenomes duplos serão desdobrados em dois , como por ex. " Sangiovanni Sarno" .
A indicação do local do sobrenome onde vive a familia também pode se soprepor, devido à mobilidade das famílias e dos indivíduos. Como conseqüência, podem estar radicados em várias cidades, mas serão citados provavelmente só em uma, mas em alguns casos em mais de uma cidade.
As notas de falecimento são fontes de informações permanentes que serão utilizadas, mesmo que limitadas.
A publicidade comercial também nos permite mapear os sobrenomes, assim como as listas de sócios da Casa D’ Itália e a relação de cidadãos italianos do Vice-Consulado.

A grafia dos sobrenomes merecerá certamente reparos das pessoas que os conhecem. Optamos por manter as variantes encontradas, acreditando que algumas delas são procedentes. Entendemos que as listas que usamos, por serem transcrições, comportam erros de grafia, só possiveis de correção com consulta documental ou informações pessoais.
As limitações atuais da nossa Pesquisa não vão permitir de imediato uma elucidação do significado do sobrenome nem a origem histórica e regional do mesmo na Itália.
Os sobrenomes de religiosos de ordens monásticas nem sempre poderão ser citados, pelo fato de adotarem novo nome, normalmente fazendo referencia à cidade de origem: Frei Alberto de Fontana, por exemplo. O clero secular, por manter o nome de familia, será sempre citado.
Principalmente a Lista de Residentes na Bahia comporta sobrenome de religiosos/as que pela sua condição não constituiram familia e alguns não tiveram uma evidencia social mais marcante.
Serão encontrados também alguns sobrenomes que não são tradicionalmente italianos. Eles pertencem a familias que ou viviam em fronteiras com outros paises europeus ou são simplesmente nacionais de outros paises radicados na Itália e que constituiram familia.
Por não ser nossa finalidade, não estamos em condições de atender a pedidos de informações com fins de processo de dupla cidadania. Para tal indicamos os serviços do Sr. Ari Souza.
Nesta Pesquisa, sempre que encontro alguém com sobrenome italiano faço a devida anotação e indago sobre a origem da família. Mas teve um que me surpreendeu quando perguntei por que ele tinha este sobrenome:
“- Foi por acaso” , foi a resposta que ouvi !

Eduardo Sarno
25.jul.09

Ilhéus
Adami- Albagli- Asciutti- Bathomarco- Bergamini- Betti- Bettin- Bonice- Borsari- Bove- Bracchi- Bridi- Brotto- Brugnara- Buscariolli- Carilo- Cartibandi- Chinelli- D’ Lippi- Dattoli- Delboni- Farani- Fávila- Fazzi- Ferrari- Finotti- Gavazza- Geralle- Gila- Grazziotti- Levita- Orrico- Ottoni- Paternostro- Pauletti- Peluzio- Stolze- Taraschi- Tragni- Trocoli- Venezio- Viroli- Vitorino- Vitta- Zacchio

Itabuna
Benassi – Bizzi – Briglia – Brugni – Bugarelli – Canelli – Carletto – Creazola – Davini – Delazari – Gagliano – Gallo – Gasparetto – Gavazza – Guarnieri – Magnavita – Martinelli – Mássimo – Moliterni – Mutti – Napoli – Orrico – Paternostro – Pedrazzoli – Pedrotti – Chetto – Perazzo – Pelegrini – Pittro – Plaza – Poletti – Ravazzano – Romani – Scaldaferri – Stolze – Tozzo – Vello – Vita.

Belmonte
Burlacchini – Guerrieri – Magnavita – Multari – Rocchigiani – Paternostro.

Ubaitaba
Baratella – Brugni

Una
Dall’ Orto – Milaneze – Rusciolelli – Magnavita – Saraloli – Tedesco.

Camacã
Stolze – Tedesco

Itacaré
Angioletti – Longo.

Eunápolis
Boseti – Bozi – Carli – Contelli – Creazola – Denti – Fadini – Fiorio – Garozi – Giuberti – Guazziotti – Guaitolini – Guerrieri – Giusti – Orletti – Peruzzo – Ramaciotti – Saraloli – Signoreli – Smassaro.

Camamu
Marti

Maraú
D’ Onofri

Teixeira de Freitas
Batistti – Belitardo – Bertelli – Bobbio – Cavarsani – Cazelli – Dall’ Orto – Donatti – Ferrari – Fávero – Ferregnetti – Gagno – Garuzzo – Lenzi – Magnango – Malacarne – Soprani.

Itamarajú
Otoni – Angeli – Bissoli – Burini – Dalmaschio – Favorato – Ferrari – Galavotti – Garozi – Giostri – Marchesini – Orletti – Perini – Pozzati – Rizzo – Rossoni – Rusciolelli – Sagnetto- Tedoldi.

Medeiros Neto
Ferreti

Mucuri
Gazzinelli – Ettori - Griffo

Prado
Arpini – Baseiri – Bibli – Bonomo – Carletto – Dall’ Orto
Poções
Acierno-Arléo-Blois-Capo-Carlomagno-Caselli-Chiapetta-Conte-D’Andrea-D’Antonio-D’Emilio-De Benedictis-Domarco-Ferraro-Grisi-Ianelli-Labanca-Lamboglia-Larocca-Libonati-Liguori-Lilli-Logetto-Mensitieri-Miraglia-Napoli-Orrico-Palladino-Perrone-Pesce-Riccio-Rotondano-Sangiovanni-Santis-Sarno-Savastano-Scaldaferri-Schettini-Sola-Sordi-Tommasi-Vita
Jequié
D’Andrea-Arleo

Bartilotti-Biondi

Caricchio-Cedroni-Celli-Colavolpe-Comte

Dattoli

Errico

Ferraro

Gaudenzi-Giudice-Grillo-Grisi-Guena

Innocencio

Laino-Lacrose-Lamberti-Larocca-Leone-Leto-Liguori-Limongi-Lomanto

Maimone-Marotta-Mensitieri-Michelli-Michele-Mortani

Niella

Orrico

Papaleo-Penza-Panza-Pepe-Pesce-Pignataro

Rotondano-Rusciolelli

Sarno-Savastano-Scaldaferri-Schettini-Spinelli

Tommasi-Tripodi

Alguns Comerciantes em Salvador em 1909
Albertazzi- Albiani- Alfano- Allioni- Badolato- Baggi- Ballalai-Bandochi- Bentini-
Borelli- Brandi- Buffoni- Bulaire- Camardelli- Campello- Datto- Della Cella- Domenech- Dotto- Fachinet- Fermi- Ferraro- Fittipaldi- Furiati- Gagliano- Gallo- Gatti- Gavazza- Giorgio- Guerrieri- Laureana- Leone- Lucca- Maimone- Manfredi- Marciano- Martelli- Martinelli- Mercuri- Mundi- Olivieri- Pagliese- Palagno- Palarino- Pampello- Pavese- Pepe- Perella- Perrone- Podestá- Prandoni- Prealle- Rundano- Salomoni- Scaldino- Tito- Vita


Sócios da Casa D’Itália-1996- (alguns sobrenomes podem estar com a grafia errada)

Foto: João Legal Leal - Nivaldo Andrade- Set/2002

Accorsi-Acierno-Acunzo-Adami-Addinicio-Adinolfi-Adolfo-Adorno-Adriani-Afrile-Agazzi-Agestinone-Agnese-Agostinone-Agresta-Albagli-Alberici-Albertazzi-Alberti-
AlbiAlbiani-Alefi-Alesi-Alfano-Alfarano-Allatta-Allegrini-Allegro-Allevi-Ambroso-
Amodio-Andrea-Andrei-Angeli-Angélico-Angelino-Angelone-Angioletti-Aprile-Arcaro-Arcuri-Ariani-Arleo-Armentano-Arnozo-Arpini-Arrigoni-Asciutti-Attanasto-
Attina-Augello-Avena

Bacchiocchi-Bagatin-Baggi-Bagnati-Bagnolo-Baiardi-Baldacci-Baldrati-Balestrieri-
Bandala-Bandierini-Baratella-Bárbara-Bárbaro-Barbato-Barberio-Barbi-Cinti-Barbon-
Barbuda-Bardelloni-Bargi-BarileBarletta-Barone-Bartilotti-Baseiri-Basello-Basili-
Bassani-Bassetto-Bassis-Bathomarco-Batista-Batistti-Battista-Bedodi-Belitardo-
Bellanca-Bellin-Belloni-Bellopedi-Bellucci-Belmonte-Belotti-Benassi-Benci-Bendocchi-Benedetto-Benifrei-Benito-Bennati-Beochieri-Berg-Bergamini-Bergesio-
Bertazzoni-Bertelli-Bertoli-Bertolini-Besozzi-Bestetti-Betaio-Betti-Bettin-Bianchin-
Biasotto-Bibli-Biglia-Bigretti-Bini-Binotto-Bioci-Biondi-Bisesti-Bisisti-Bissoli-Bizarri-
Bizzi-Blesso-Blois-Bloisi-Blumetti-Bobbio-Boccanera-Bolona-Bolzpauser-Bona-Bonafine-Bonanno-Bonelli-Bonetta-Bongo-Bonice-Bonnano-Bonomi-Borchi-Bori-
Bormida-Bornia-Borri-Borro-Borsari-Bosca-Boscaini-Boscano-Bosco-Boscolo-Boseti-
Bottazzi-Botticelli-Bove-Bozi-Bracchi-Braccianti-Brachi-Brancaccio-Brandi-Brasio-Brentan-Bresciani-Bridi-Briglia-Brioschi-Brotto-Brugnara-Brugni-Brunetti-Bruno-Brusati-Brusoni-Buffoni-Bugarelli-Buonavita-BurgosBurini-Burioli-Burlacchini-Buscariolli-Buscema-Busseni-Buzzi

Cabiddo-Cabrini-Caccilleri-Caddia-Cadena-Caffarello-Calavancia-Caldana-Caldera-
Calderazzo-Calderoni-Calobrazzo-Calogero-Camardelli-Cameli-Camella-Camellimi-
Camolese-Camolesi-Campana-Campello-Campione-Campione in Augello-Camuso-
Canale-Canavesto-Cancella-Cancelli-Canella-Canelli-Caneva-Caniatti-Canônico-Canossi-Canton-Capellini-Capeni-Capicchio-Capizzi-Capo-Capone-Caponi -Cappelli-
Cappilli-Caprara-Caprioli-Caputo-Caracciolo-Caradonna-Caranoete-Caravaglia-Carazza-Carella-Careoni-Caretto-Carichio-Carilo-Carletto-Carli-Carlini-Carloni-
Caroni-Caroso-Caroti-Carozzo-Carrascosa-Carretti-Carrozzo-Cartibani-Caruti-Casadei-
Casali-Caselli-Cassara-Castagna-Castelluccio-Castraghi-Catapano-Cavalcanti-Cavaliere-Cavalluoi-Cavarsani-Cavazzana-Cavazzi-Cavazzoli-Cazelli-Ceci-Cella-
Cerbone-Cerioli-Cerliani-Cermenati-Cersosimo-Cerutti-Cesarino-Cesaroni-Cestonaro-
Cetraro-Cetto-Chetto-Chezi-Chezzi-Chiacchiaretta-Chiacchio-Chiachiaretta-Chiapetta-
Chiardlanza-Chiarella-Chiari-Chiaudrero-Chinelli-Chinês-Chiodi-Chirardello-Ciaparone-Cilsseppe-Cimarosa-Cimarossa-Cinque-Cinti-Ciriello-Ciuliano-Clélia-Coco-
Coentro-Cognigni-Colacone-Colangeli-Colavolpe-Colombo-Colonelli-Colonnelli-Colvolpe-Confalonieri-Coni-Consiglio-Consoli-Consonni-Constantine-Constantini-Constantino-Conte-Contelli-Conti-Conversano-Corongio-Corpetino-Corsi-Corso-Cortassa-Cosenza-Cossali-Costa-Costanzo-Cova-Cravotta-Creazola-Cremonese-Crisi-
Croce-Crode-Crozoe-Cunto

D’Agnese-D’Agostinho-D’Andrea-D’Andreamatte-D’Andreamatteo-D’Angelo-D’Antonio-D’Emidio-D’Onofrio-Da Rin-Dal Colle-Dall’Orto-Dalmaschio-Damico-
Dangelo-Daniel-Dante-Dantuani-Darbin-Dattoli-Davini-Davoli-De Beneditis-De Candia-De Carli-De Chirico-De Donato-De Filippo-De Gennaro-De Leo-De Luca-De Mantini-De Nardi-De Piero-De San Luca-De Vecchi-Del Fávero-Del Greco-Del Maffeo-Delazari-Delboni-Della Cella-Della Libera-Della Piazza-Dello Vicario-Demidio-Demilio-Deminco-Denti-Deotto-Derno-Di Carlo-Di Credico-Di Domisio-Di Domizio-Di Donato-Di Febo-Di Filippo-Di Giantomasso-Di Giovanni-Di Girolamo-
Di Gregório-Di Grigorio-Di Lábio-Di Lauro-Di Médio-Di Nuzzo-Di Paolo-Di Paula-
Di Pietro-Di Rocco-Di Salvo-Di Sano-Di Santo-Di Siervi-Di Tomasso-Di Túlio-Di Villarosa-Di Vincenzo-Diaz-Dlippi-Dodi-Dolazza-Domarco-Dominici-Donatti-Donini-Donofre-Donofria-Dorea-Dori-Doria-Dorigatti-Dorma-Dormundo-Dotto-Duílio-Durin-
Durrone

Eduardo-Erasmo-Erbetta-Eressan-Ermete-Errico-Escorcio-Ettore-Eusseni

Faccenda-Facchinetti-Facchini-Fadini-Faenza-Fanelli-Fanti-Fantinati-Fantini-
Fantoni-Farani-Faraoni-Fardola-Farrelli-Fasani-Fasano-Fasciolo-Fasolo-Fausto-
Fávero-Favila-Favorato-Fazi-Fazzi-Felice-Feliziani-Feloni-Feprapi-Fera-Ferfaro-
Ferracuti-Ferranti-Ferrarese-Ferrari-Ferraro-Ferreccio-Ferregnetti-Ferrero-Ferreti-
Ferri-Ferrini-Fezzolato-Fiaccone-Fiarto-Fiaschi-Figliolo-Figliulo-Figliuolo-Filimberto-
Finotti-Fioravanti-Fiore-Fiorentino-Fiorio-Firnekaes-Fiúza-Flopidia-Floricia-Floridia-
Foa-Follis-Fontana-Forastieri-Forastilro-Formigli-Forte-Fracassi-Fragiacomo-Franca-
Francesca-Franceschini-Francesco-Franchi-Franchini-Franci-Franco-Franod-Frederico-
Frignani-Frisotti-Fumagalli-Fusco-Fusi

Gabrielli-Gafofani-Gagliano-Galavotti-Galeffi-Galeppi-Galerri-Galigard-Gallo-Galori-
Gambuza-Gana-Gantil-Gaoliardi-Garboggini-Gardiani-Gargiulio-Garozi-Garuzzo-Gasbarre-Gasearre-Gasparetto-Gasparini-Gasperis-Gatto-Gaudenzi-Gavazza-Gavazzi-
Gazineo-Gazzitano-Gentil-Geralle-Gerbasi-Geremano-Germano-Gervasoni-Ghirelli-
Giacopuzzi-Giamarino-Giammarino-Gianandrea-Giancarlo-Giancaterino-Giannandrea-
Giannini-Giansante-Giarrosso-Giarrusso-Gigante-Gila-Giogetti-Giordano-Giostri-Girolamo-Giuberti-Giudice-Giugliano-Giuntini-Giusti-Giustini-Giusto-Giva-Gobato-
Golinelli-Gostisa-Govoni-Granchelli-Grandio-Granopelli-Grassi-Grasso-Grazia-Graziano-Grazioli-Grazzinelli-Grazziotti-Grela-Griffo-Griletto-Grilis-Grillo-Grimaldi-
Grisi-Grosso-Grossole-Gruggianesi-Guaitolini-Guardiani-Guarnieri-Guazziotti-Guena-
Guerra-Guerrieri-GuglielmiGuida-Guidice-Guidoni-Guilici-Guntern

Hercog-

Iacomo-Iacono-Iacopo-Iacoviello-Iacuitti-Iafullo-Ianelli-Iannaccone-Ibba-Idi-Iervese-
Iervesi-Ílio-Imperatore-Imperiali-In Conti-In NobileInaugello-Indelicato-Innocenti-
Isabella-Isnenghi-Isnenght

Justin

La Macchia-La Nacchia-Labanca-Labate-Laccapini-Laccese-Ladeia-Lamberti-Lamberto-Lambertto-Lamboglia-Laner-Lanteri-Lanza-Larocca-Latella-Lauria-Lauricella-Lavagna-Laveto-Lazzari-Lazzarima-Lazzaro-Lazzarotto-Leccese-Lena-
Lengo-Lenti-Lenzi-Leone-Leonelli-Leto-Levita-Libonati-Lichthart-Liguori-Lilli-
Limonci-Limongi-Lino-Lintner-Lirio-Lisoi-Lo Bianco-Lobatto-Locatelli-Logetto-
Loiodice-Lomanto-Lombaglia-Longo-Longobardo-Lops-Lorenzet-Loria-Losapio-
Lovari-Lucchetta-Luccmeta-Lucena-Lucenti-Luna-Lusiardo

Maccarinelli-Macobaldo-Maddaloni-Mafezzoli-Maffei-Maggi-Maggitti-Magistrini-
Magnango-Magnavita-Magno-Maimone-Majerna-Malacarne-Malafaia-Malandra-Malanora-Maltese-Mammarella-Mancinelli-Mandarino-Mane-Manera-Manichilli-
Manisco-Mantiero-Maragon-Marangoni-Marano-Maratinelli-Marcati-Marcelletti-
Marcheggiani-Marchelli-Marchesini-Marchetti-Marchi-Marchionna-Marchionni-
Marconi-Marenco-Margherita-Mariani-Marighela-Marimpietri-Marimpietro-Marin-
Marini-Mariucci-Marnaglio-Marotta-Marsala-Marti-Martinelli-Martini-Martuscelli-
Mascheroni-Mascitelli-MasieroMassari-Massimo-Mastrillo-Mastrolorenz-Mateuzzi-
Matta-MatteoniMazza-Mazzafera-Mazzillo-Mazzochetti-Mazzoni-Mazzuccato-Mazzulo-Médici-Meloni-Menegali-Menilo-Menon-Mensitieri-Merafina-Mercuri-Mertola-Mertole-Meruzzi-Mianulli-Micari-Miceli-Michelini-Micucci-Miglio-Milaneze-
Mira-Miraglia-Mirarchi-Misi-Mitidieri-Mizzon-Mocoelin-Modafferi-Molinari-Moliterni-Mollicone-Moncardini-Monforte-Monnet-Montgomery-Montironi-Mora-Morelli-Moretta-Moretti-Morlini-Morlini-Moro-Moroni-Morosini-Mosca-Moscato-
Mularia-Multari-Muraro-Musa-Musse-Mutti

Nadin-Naldi-Nano-Nanu-Napoli-Narcisi-Nardone-Natale-Nattalia-Nenon-Néri-Nese-
Nesse-Nigro-Nizza-Nobile-Nofri-Nortabartolo-Novaro-Nuti-Nuzzo

Ocopiali-Oliva-Olivieri-Oltolina-Onnis-Orazio-Orlando-Orletti-Orrico-Ortenzi-Osanio-
Otoni-Ottaviani-Ottoni-Ottorino

Paccolini-Pace-Pagani-Paganini-Pagliello-Palladino-Palmarel-Palmarella-Palmina-Palmiro-Palmo-Palumbo-Panario-Pancetti-Panella-Paoletti-Papaleo-Papaterra-
Paral-Paral-Parla-Parrino-Parvi-Pasini-Pasqua-Pasquali-Pasquariello-Pasquili-
Pasquini-Pasquini-Paternostro-Patriarca-Pauletti-Pavanello-Pavia-Pederbelli-Pedrazzoli-Pedrebelli-Pedrotti-Peducci-Pegna-Pelagatti-Pelegrini-Pellegrino-Pellizoni-
Pellizzaro-Pellizzoni-Pelonzi-Pelosi-Pelusi-Peluzio-Penasa-Pepe-Perani-Perazzo-Percher-Perego-Pergentino-Perini-Perlini-Perrone-Pérsico-Pertrini-Peruzzo-Pesce-
Pesenti-Pessina-Petaccia-Pettaccia-Peverati-Pezzano-Pia-Piazza-Piccolin-Pieiro-
Pieracciani-Pina-Pinelli-Pintonello-Pirruccio-Pisani-Pisanu-Piserchia-Pissarro-Pitta-Pittari-Pittro-Piumatti-Piva-Pivetta-Planta-Plaza-Podesta-Pogetti-Poletti-Pollisceni-
Polverino-Pomaro-Pompelin-Porcari-Porciuncola-Porro-Pozzatti-Pozzerle-Pradella-Praun-Prearo-Previtera-Primavera-Primo-Príncipe-Puccio-Pugliesi-Puonzo-Purlini

Quagliarotti-Queirolo-Quintas-Quinto

Rabbiosi-Racca-Racobaldo-Ragno-Ramaciotti-Ramoni-Ranaudo-Raonaldi-Rapone-Rarendega-Rartini-Rastelli-Ravazzano-Rebonato-Reco-Regina-Reiwald-Remondi-Reno-Retavoza-Retondaro-Rialto-Ricci-Riccio-Ricrentino-Rigattieri-Rignanese-Rigo-
Rizzarde-Rizzari-Rizzo-Rizzuto-Rnaudo-Robatto-Rocca-Rocce-Rocchigiani-Roccobaldo-Rogondino-Romanelli-Romani-Romano-Romeo-Romici-Ronzoni-Roscio-
Rosini-Rossetti-Rossi-Rossoni-Rotondano-Rottin-Ruetolo-Rusciolelli-Ruscitti

Sabatini-Saccheito-Sagnetto-Sala-Salsi-Saltarin-Salvatore-Salvetti-Sande-Sangiovanni-Sansoni-Santa-Santache-Santanche-Santaniello-Santavenere-Santaverone-Sante-Santedicola-Santianni-Santillo-Santini-Santis-Saponaro-Saputo-Saraloli-Saralolli-Sardi-
Sarnelli-Sarno-Sarsotti-Sartori-Saturno-Saura-Savastano-Saviane-Scaclione-Scaglione-
Scaldaferri—Scalia-Scapechi-Scarafile-Scarpellino-Scatolini-Schembri-Schettini-
Schianta-Schiatiarella-Schiavo-Schinto-Schizzerotto-Sciancalepore-Sciaretta-Scopacasa-Scotti-Scozzari-Scrianta-Sensales-Seraceno-Seretto-Sergi-Serpecchia-
Serravale-Serrentino-Servioli-Sestito-Sfano-Signoreli-Silvani-Silvestri-Sinibaldo-Sironi-Sola-Sollami-Solvi-Somaschi-Soprani-Sordi-Soricelli-Sorige-Sormani-Sorrintino-Spagnuolo-Spalla-Spampinato-Spinelli-Spinola-Spinoza-Spinozzi-Sposato-
Stabile-Stefani-Stipani-Stocker-Stolze-Stride-Strippoli-Supino-Svaluto

Tacconella-Talento-Talli-Tamarri-Tambone-Tamborriello-Tamburiello-Tamburriello-
Tameone-Tameorriello-Tamiozzo-Taraschi-Tarraschi-Tasga-Tassinari-Tatavitto-Tedeschi-Tedoldi-Tenisi-Terranova-Tesan-Testa-Testagrossa-Tignonsini-Tinese-
Tinoco-Tinotti-Titioni-Tittone-Tittoni-Tomassetti-Tomassi-Tommasi-Tonetto-Toniolo-Tonucci-Torfolini-Torrasgrossa-Torre-Torresgrossa-
Torrisi-Torrogrossa-Tosatti-Toscano-Tosoratti-Tosto-Tozzo-Tragni-Trancoso-Tranzilo-
Trevisan-Trillo-Trinco-Tripodi-Trisi-Trocoli-Troiano-Trozzi-Turisco-Turrina-Turvani

Uboe-Urbani

Vacandina-Vaccareza-Vaccari-Vailati-Valdinucci-Valituti-Valsecchi-Valvassun-Vannozzi-Vanonoini-Vanzella-Varabese-Varanese-Varo-Varzula-Vassalo-Vello-
Venezio-Vento-Venturi-Verniero-Vetere-Viesi-Vilei-Villa-Villasanti-Vilsi-Vinbiguerra-Vincenzi-Vincenzo-Viroli-Visco-Visconti-Visinti-Vita-Vitari-Vitiello-
Vitorino-Vitta-Vittorio-Viviani-Volonte-Vozza

Walter-Wilfrido-Wilser

Zacchio-Zaconel-Zama-Zambello-Zamin-Zane-Zanetta-Zaniroli-Zecchini-Zeto-Zigante-
Ziglioli-Ziller-Zottoli-Zucconi-Zumerle

Sobrenomes de Italianos que residem / residiram na Bahia :

Accorsi-Acunzo-Addinicio-Adinolfi-Adolfo-Afrile-Agazzi-Agestinone-Agresta-Alberici-Alberti-Albi-Alesi-Alfarano-Alfei-Allatta-Allegrini-Allegro-Allevi-Angelino-Angelone-Aprile-Arcaro-Arcuri-Arguri-Armentano-Arrigoni-Attanasto-Attina-Augello -Argelli-Avena



Bacchiocchi-Bagatin-Bagnati-Baldacci-Baldrati-Balestrieri-Bandierini-Bárbara-Bárbaro-Barbato-Barberio-Barbon-Bargi-Barile-Basili-Bassani-Bassis-Bedodi-Bellanca-Bellin-Belloni-Bellopedi-Bellucci-Belmonte-Belotti-Benci-Benedeto-Benifei-Bennati-Beochieri-Berg-Bergesio-Bertoli-Bertolini-Bettin-Bianchin-Biglia-Bigretti-Binotto-Bioci-Biolia-Biondi-Bizzarri-Blesso-Bolzpauser-Bona-Bonafine-Bonetta-Bongo-Bonnano-Bonomi-Borchi-Bori-Bormida-
Bornia-Borri-Borro-Bosco-Boscolo-Botticelli-Bracchi-Braccianti-Branchini-Brentam-Bresciani-Bruno-Brusati-Buonavita-Burgos-Burioli-Buscaini-Buscema-Busseni-Buzzi- Barletta-Bartilotti-Bonelli-Brugno

Cabiddo-Cabrini-Caccilleri-Caddia-Caffarello-Caldana-Caldera-Calderoni-Calobrazzo-Cameli-Camellimi-Camolese-Campana-Campello-Campione in Augello-Canale-Canavesto-Cancella-
Cancelli-Caneva-Canossi-Canton-Capellini-Capeni-Capicchio-Capizzi-
Capo-Capone-Caponi-Cappilli-Caprioli-Caputo-Caranoente-Carbalho-Carella-Careoni-Caretto-Carlini-Carloni-Caronni-Caroti-Carretti-Carrozzo-Cartocci-Caruti-Casadei-Casali-Cassara-
Castagna-Castanga-Castraghi-Cataldo-Cavalancia-Cavaliere-Cavalluoi-Cavazzana-Cavazzi-Cavazzoli-Ceci-Cella-Cerbone-Cerioli-Cerliani-Cermenati-Cerutti-Cesaroni-Cestonaro-Cetraro-Cetto-Chiacchiaretta-Chiacciaretta-Chiardlanza-Chiarella-Chiari-Chiaudrero-Chinês-Chiodi-Ciaparone-Cilsseppe-Cimarossa-Cinque-Cinti-Ciulano-Classi-Clélia-Clemente-Clementi-Coco-Cognigni-Colacone-Colangeli-Colombo-Colonnelli-Confalonieri-Consiglio-Consoli-Consonni-Constantine-Constantini-Constantino-Constanzo-Conte-Contelli-Conti-Conversano-Corongio-Corpentino-Corsi-Corso-Cossali-Couraco-Cova-Cremonese-Croce-Crode-Cunto -Caricchio-
Carlomagno-Cesosino

D`Agnese-D`Andreamatteo-D`Angelo-D`Antonio-D’Agostino-D’Emidio-D’Onofri-D’Onofria-D’Onofrio-Da Rin-Dabrin-Dal Colle-Damico-Dandreamatteo-Dangelo-Daniel-Davoli-De Candia-De Carli-De Chirico-De Donato-De Gasperis-De Gennaro-De Luca-De Luca-De Mantini-De Nardi-De Paolo-De Piero-De San Luca-Del Fávero-Del Greco-Del Maffeo-Della Piazza-Dello Vicário-Demidio-Derno-Di Carlo-Di Credice-Di Credico-Di Domisio-Di Domizio-Di Febo-
Di Filippo-Di Giovanni-Di Girolamo-Di Gregório-Di Lábio-Di Lauro-Di Paolo-Di Paula-Di PietroDi Rocco-Di Sano-Di Santo Di Siervi-Di Tomaso-Di Tommaso-Di Villarosa-Diaz-Dicarlo-DiGregorio-Dolazza-Donini-Dori-Doria-Dorigatti-Dorin-Dorma-Dornina-Durrone -D’Emilio-
De Leo-Devoto-Donato

Erasmo-Eressan-Eurlanco-Eusseni

Faccenda-Facchini-Faenza-Fanco-Fanelli-Fanti-Fantinati-Fantini-Fantoni-Faraoni-Farrelli-Fasani-Fasano-Fasciolo-Fazi-Federico-Fedriga-Felice-Feliziani-Feprapi-Ferfaro-Ferracuti-Ferranti-Ferrarese-Ferrari-Ferrero-Ferri-Ferrini-Ferro-Fertrini-Fezzolato-Fiaccono-Figlilolo-Figliulo-Finotti-Fioravanti-Flopidia-Floricia-Floridia-Foa-Follis-Fontana-Forastieri-Forastilro-Forte-Fracassi-Fragiacomo-FranFermi-Figliuolo-Franco-cheschini-Franchi-Franci-Franod-Frignani-Frisotti- Fumagalli-Fusi

Gafofani-Gagliano-Galeffi-Galeppi-Galerri-Galligard-Galori-Gambuzza-Gana-Gaoliardi-Gardiani-Gasbarre-Gasearre-Gasparini-Gatto-Gaudenzi-Gaudenzio-Gazineo-Gazzitano-Gentili-Germano-Ghirelli-Giacopuzzi-Giammarino-Giancaterino-Giannandrea-Gianrusso-Giansante-Giantomasso-Giarosso-Giarusso-Gigante-Giogetti-Giordano-Giovanni-Giudice-Giugliano-Giuntini-Giusto-Giva-Golinelli-Gostisa-Govoni-Granchelli-Granopelli-Grassi-Grasso-Graziano-Gregori -Grilletto-Grimaldi-Grippo-Grosso-Grossole-Gruggianesi-Guardiani-Guerra-Guida-Guidoni-Guilici-Guntern -Grillo

Hercog

Iacono-Iacoviello-Iacuitti-Iafullo-Ibba-Idi-Iervese-Imperiali-In Conti-In Nobile-Inchingodo-Innocenti-Insenghi-Isabella-Isnenght

Justin

L’Abbate-La Nacchia-Laccapini-Lamberti-Laner-Lanteri-Lanza-Larocca-Lauria-Lauricella-Lavaona-Lazzari-Lazzarima-Lazzaro-Lazzarotto-Leccese-Lengo-Lenti-Levita-Limonci-Limongi-Lino-Lintner-Lisoi-Lo Bianco-Loiodice-Longobardo-Lops-Lorenzet-Losapio-Lovari-Lucchetta-Lucenti

Maccarinelli-Macobaldo-Maffei-Maggi-Maggitti-Magistrini-Maimone-Majerna-Malandra-Malanora-Maltese-Mammarellea-Mancinelli-Manera-Manichilli-Manisco-Mantiero-Marangon-Marangoni-Marano-Maratinelli-Marcati-Marcelletti-Marcheggiani-Marchelli-Marchetti-Marchi-Marchionna-Marchionni-Marconi-Marenco-Marianetti -Marimpietri-Marini-Mariucci-Marnaglio-Marsala-Martinelli-Martini-Martuscelli-Mascheroni-Masiero-Massari-Mastrillo-Matta-Matteuzzi-Mazza-Mazzafera-Mazzillo-Mazzochetti-Mazzoni-Médici-Meloni-Menegalli-Menon-Merafina-Meruzzi-Mianulli-Micari-Miceli-Miglio-Mirarchi-Mizzon-Mocoelin-Modafferi-Moncardini-Monnet-Montironi-Mora-Morelli-Moretta-Moretti-Morlini-Moro-Moroni-
Morosini-Mosca-Moscato-Muraro-Musa-Musse-Muzzucatto-Marigliano-Mariniello-Marotta-
Mastrolorenzo-Matteoni-Mensitieri-Mollicone-Munno

Nadin-Naldi-Nano-Nanu-Narcisi-Natale-Néri-Nesse-Niciro-Nobile-Nofri-Notarbartolo-Novaro-Nuti

Ocopiali-Oltolina-Onnis-Ortenzi

Paccolini-Pace-Paganini-Pagliello-Palladino-Palmarella-Palmina-Paoletti-Parla-Pasquali-Pasquariello-Pasquili-Pasquini-Pavanello-Pederbelli-Peducci-Pegna-Pelagatti-Pellegrino-Pellini-Pellizzaro-Pellizzoni-Pelonzi-Pelosi-Pelusi-Penasa-Pepe-Perani-Perlini-Perrone-
Pérsico-Pesenti-Pessina-Petaccia-Peverati-Pezzano-Piazza-Picci-Piccolin-Picre-Pieiro-Pieracciani-Pintonello-Pirruccio-Pisani-Pisanu-Piserchia-Pittari-Piumatti-Pivetta-Polverino-Pomaro-Pompelin-Porcari-Porro-Pozzerle-Praun-Pricnani-Primavera-Príncipe-Puccio-Puonzo-Purlini -
Palagano-Pataro-Pelegrini-Piana-Pilatti-Politano-Porciúncula-Porru-

Quagliarotti-Quinto -Quarantini

Rabbiosi-Racca-Racobaldo-Ranaudo-Raonaldi-Rartini,Reco-Reiwald-Remondi-Ribichini-Ricci-Ricrentino-Riganese-Rigattieri-Rigo-Rizzarde-Rizzuto-Rocca-Rogondino-Romanelli-Romano-Romeo-Romici-Ronzoni-Roscio-Rosini-Rossi-Rottin-Ruetolo-Rusciolelli-Ruscitti-Russo Ragone-
Romeu

Sabatini-Saccheito-Sala-Salsi-Saltarin-Salvatore-Salvetti-Santavenere-Santavenore-Sante-Santedicola-Santianni-Santini-Saponaro-Saputo-Sardi-Sarnelli-Sarsotti-Sartori-Saura-Saverio-Saviane-Scaclione-Scaglione-Scaldaferri-Scalia-Scapecchi-Scarafile-Scarpellino-Scatolini-
Schettini-Schianta-Schiatiarella-Schiavo-Schinto-Schizzerotto-Sciancalepore-Sciarretta-Scozzari-Scrianta-Scupacasa-Sensales-Seraceno-Seretto-Sergi-Serpecchia-Serrentino-Servioli-Sestito-Sfano-Silvestri-Sinibaldo-Sironi-Sola-Sollami-Solvi-Somaschi-Soricelli-Sorige-Sorrintino-Spagnuolo-Spampinato-Spinelli-Spinolli-Spinozzi-Stefani-Stipani-Stocker-Stride-Svaluto -Scaldaferri-Siriani

Tacconella-Talento-Talli-Tamarri-Tamborriello-Tamburriello-Tameoni-Tameorriello-Tamiozzo-Taraschi-Tasga-Tassinari-Tedeschi-Tenisi-Terranova-Tervase-Tesan-Testa-Tignonsini-Tinotti-Titioni-Tittone-Tomassetti-Tommasi-Tonetto-Toniolo-Tonucci-Torfolini-Torregrossa-Torrisi-Torrogrossa-Tosatti-Tositori-Tosoratti-Trevisan-Trignano-Trillo-Trinco-Trisi-Troiano-Trozzi-Turrina-Turrisi -Tosto

Uboe

Vaccari-Vailati-Valdinocci-Valitutti-Valsecchi-Valvassun-Vannozzi-Vanonoini-Vanzella-Varanese-Varo-Vassallo-Vento-Venturi-Verniero-Vetere-Viesi-Vilei-Vilsi-Vinbiguerra-Vincenzi-Visco-Visintin-Vitari-Vitiello-Vittorio-Viviani-Volonte-Vozza -Vita

Walter-Wilser

Zaconel-Zambello-Zamin-Zane-Zanetta-Zaniroli-Zecchini-Zeto-Ziglioli-Ziller-Zottoli-Zucconi-Zumerle

Sobrenomes italianos na Bahia Colonia e Império

Accioli-Adduci-Adorno-Aducci-Albertazzi-Alegro-Allioni-Ambrosi-Andreoni-Angeli-
Argolo-Armando-Arnozo

Bagnolo-Baldassari-Bandala-Barbuda-Bassetto-Bassi-Bedeschi-Benci-Berlutti-Bertucci-Betaio-Bettini-Biancucci-Bizarri-Bocanera-Boccanera-Bolona-Boscano-
Brizzi-Bruschi-Brusoni-Bruzza

Cadena-Camella-Cantarelli-Caracciolo-Carfagni-Carrena-Caterbi-Centolani-Cherubini-
Chialastri-Chirico-Codini-Codovilli-Colombari-Compagnoni-Coni-Conti-Cornacchia-
Cortesi-Crespi

Dantuani-Dei-Della Calce-Della Valle-Dentice-Devoto-Domini-Donati-Dormundo

Effren-Erani-Escorcio

Fardola-Ferrari-Ferretti-Fiarto-Fiúza-Folfi-Foschini-Francioni

Galeffi-Garneri-Gherardi-Giorgini-Giuliani-Grandio-Grela-Grilis-Gualducci

Lacerda-Lamberto-Lambertto-Landolfo-Lavetto-Litieri-Lobatto-Lombardi-Lucena

Majola-Malafaia-Mane-Manzoni-Marcciucchi-Marella-Marin-Marinarzeli-Marini-
Martoni-Masciarelli-Massa-Mazzolini-Mazzucchetti-Melandri-Menilo-Mertola-Mertole-Minelli-Mônaco-Monforte-Mongardini-Monleone-Morelli-Moriani-Morolli-
Moroni-Mularia-Musi

Nicci-Nizza-Noli

Oliva-Olivi-Origlia-Orselli

Paganelli-Parvi-Pasini-Pavia-Pazzotti-Persiani-Pianori-Piazza-Piazzoli-Pilligrini-
Pina-Pirozzoli-Pissarro-Pitta-Pogetti-Preto

Raffuzi-Raffuzzi-Rarendega-Ravajoli-Retavoza-Righini-Ronchi-Rosini-Rossi-Rossini-Rotta

Salvatori-Sande-Sanfelice-Sanmichele-Santoro-Scamabrini-Sena-Sorcelli-Spinoza-
Staderini-Stornelli-Sturbani

Terziani-Tinoco-Tommaso-Toscano-Toschi-Tribuni-Turó

Vacandina-Valicelli-Varzula-Vecchietti-Verlicchi-Villasanti-Visconti-Voltari

Zagallo-Zaganelli-Zagnoli-Zaini-Zannini-Zattoni-Zauli-Zavali

22 julho 2009

Primeiro Sarno na Bahia

Francesco Sarno (1864-1948) (foto) , também conhecido como Chico Sarno, foi o primeiro da família que veio para a Bahia, em companhia do sogro.
Depois de um percurso que começou em Manaus, veio a estabelecer-se com casa comercial em Poções, em 1896.


Foi casado com Carmela Orrico, de Trecchina. A esposa nunca veio ao Brasil. Tiveram quatro filhos, e todos estiveram no Brasil : Rosina (*1891-+1982), Matilde (*1893-+1968)), Marianinna (*1894-+1980) e Vincenzo (*1909-+1988).
Francesco Sarno era natural de Mormanno, e faleceu em Trecchina.
Ele era irmão de Fedele Sarno (*1860- +1942), que nunca veio ao Brasil, mas mandou 7 dos seus filhos : Vicente(*1893-+1975), Corinto (*1899-+1970), Luis (*1907-+1994), Valentim (*1902-+1990), Emilio(*1904-+1977), Rosina (*1911-+1973) e Camilo(*1909-+1995).
Toda a descendência Sarno na Bahia provém destes dois troncos.

Eduardo Sarno
22.jul.09

Documento curioso: arroba


Mesmo para as pessoas mais idosas não é comum terem conhecido um documento original onde se usava o símbolo @ com o significado de 15 quilos.
Nesta "Guia de Cargas", o Sr. João Liguori despachava em 1945, para V. Sarno & Irmãos, em Poções, uma carga de 29 volumes contendo 101 @ e sete quilos e meio de café "liquido". Devemos entender aqui não o café coado, mas o peso liquido do grão, sem as sacas, ou possivelmente sem os “panacuns” de couro, onde o produto era transportado.
Poções é designada na Guia como "Djalma Dutra", denominação que tinha na época, mas que posteriormente foi mudada, retornando a seu primitivo nome.
A mercadoria foi despachada de Água Vermelha, em Iguaí que naquela data não era ainda um município, mas sim um Distrito de Poções. Esta região, chamada “da Mata” possui terras consideradas extremamente férteis.

O portador tinha o nome apropriado de Maçú Tropeiro, e o gerente chamava-se Leonardo Alves Santo, que já mudou o nome do patrão para “Liquori”, num erro etílico.
A Guia de Cargas era numerada e proveniente de uma "Secção de Exportação" e o Sr. João Liguori se apresentava como "Importadores e Exportadores". O circuito da mercadoria era de Iguaí ( ou outra região limítrofe), Casa Sarno e exportadores em Salvador. Ou como indica a guia: Iguaí – Poções – Bahia, sendo que “Bahia” era a denominação genérica de Salvador, a capital.
Este documento é um testemunho da organização comercial que os italianos tinham na região e do relacionamento entre eles. Esta forma de associação ou parceria comercial entre italianos permitia que tivessem representantes a baixo custo em diversas cidades, priorizando o roteiro interior-capital.
Eduardo Sarno
21.07.09

21 julho 2009

V. Sarno & Irmãos

V. Sarno & Irmãos
Na frente: Corinto, Valentim e Camilo Sarno, o Sr. Nogueira e um funcionário.
A firma era de Vicente Sarno, que tinha os irmãos como sócios e este foi um dos locais na cidade em que tiveram a loja.
O jacaré que está no cartaz não é do Lacoste , é o do famoso "Kerosene" da Esso.
Na época não havia posto de combustível, a gasolina era vendida em latas.
Este sobrado era a casa comercial mais vistosa de Poções.

08 julho 2009

Sangiovanni: Genealogia e Folclore

Luigi Sangiovanni (1853-1934)
Este nome é “composto com aglutinação do San. A base é “Giovanni” (João), que se afirmou desde o primeiro cristianismo pelo culto e prestígio de S. João Evangelista e São João Batista. Continua o pessoal latino “Iohannes”, adaptação do grego “Iôánnês”, originário por sua vez do nome hebraico “Yôhânân”, formado de “Yô”, abreviação de “Yahweh” (Deus) e “hânan” (ter misericórdia) com o significado de “Deus teve misericórdia”. (Coen-1989)
“Latinizado em “Johannes” , se fixou no italiano em “Giovanni” . O sobrenome é um patronímico que recorda o nome do fundador deste tronco familiar”. (Mioranza-1997)
O nome São João nos remete à festa do santo do mesmo nome, o Batista, que era primo de Jesus e foi degolado no castelo de Macheros, na Palestina.
“Toda a Europa conheceu essa tradição de acender fogueiras nos lugares altos e mesmo nas planícies, as danças ao redor do fogo, os saltos sobre as chamas, todas as alegrias do convívio e dos anúncios de messes abundantes”. (Cascudo-1962)
Também na Itália havia o costume de dois amigos pularem a fogueira para se tornarem “compadres”. Em diversas regiões da Calábria este costume tinha o nome, nos dialetos, de “sangiuvanni” , “sangiuanni” , sanciuvanni” e “sangianni” . Era o “comparatico” (compadrio), relação de “compare” (compadre) que se fazia no “giorno di San Giovanni” e usado também no sentido de “compare de anello” (compadre de bodas) ou “di battesimo” (de batismo). Assim, dizia-se “ficeru lu sanciuanni” (fizeram o compadrio), ou “simu sangiuvanni” (somos compadres). ( Rohlfs-1977)
Nosso Sangiovanni é de Mormanno – Cosenza – Calábria – e a referência mais antiga que temos é de Luigi Sangiovanni (1853-1934), casado com Anna Cardone. Tiveram um filho Pietro Sangiovanni (1872-1913), casado com Agatarosa Sangiovanni (1882-1942) que tiveram 5 filhos : Luigi Sangiovanni (*1904), Anna Maria Sangiovanni (Aninna)(*1906), Vincenzo Mario Sangiovanni (*1908), Domenica Sangiovanni (Miminna) (*1910) e Amedeo Giovanni Sebastiano Sangiovanni (*1913).
Este último inaugurou a tradição de ser conhecido por nomes diversos: Tio Chico, Chico, Francisquinho, Dom Ciccilo, Francesquino, Franco, Fran, Frisquino, Francesco, Francisco... e notem que no nome dele não consta Francisco. Esta variedade de apelativos constou na camiseta elaborada para a concorrida festa dos seus 80 anos, em Morrinhos.
Amedeo Giovanni Sebastiano Sangiovanni
Ele é o pai de Luiz Sangiovanni, gestor deste Blog, que conseguiu superar o pai, relacionando nada menos que 163 maneiras pela qual o seu sobrenome foi modificado. Com este exemplo fica claro entender as modificações que os sobrenomes adquirem no correr da história, fato corriqueiro com os sobrenomes italianos no Brasil.
VARIAÇÕES DO NOME SANGIOVANNI NA FORMA DE PRONUNCIAR E ESCREVER :


Luiz Sangiovanni
BONGIOVANI - pelo vendedor de óculos da Ótica Ernesto
CALVA F. SANGIOVANNI - no cartão do Itaú
CARMELO FUGANDES SANGÜENARI - pela mãe americana de Marcelo
CARPEGIANNI - em 1981
DANJUVANE - no orçamento 466 da Nelinho Tintas
ELISA MARAIA COUTO SANGBIOVANNI - na relação do PIS (Elisa Maria Caputo Sangiovanni)
FRANGOVANNI – quando jogava bola.
GEOVANE – no geral
GERMANO - por um amigo
GIOVANIO – em Sergipe
GOVANI - email recebido da Sergifil - Aracaju
HEDELBRANDO - por um operador de máquinas
IDELVÂNIO – procurado por um cliente de Aracaju.
JANGIOVANNI - no certificado de renovação de carteira de motorista -Auto Escola Veja
JOVANI - de uma carta de cliente
JOVANIO – de uma correspondência vinda de Aracaju
JUVANE - no orçamento 466 da Nelinho Tintas
LUIZ GONZAGA CAJUTO SANGIOVANNI - correspondência enviada pelo Banco do Nordeste para Luiz Eduardo Caputo Sangiovanni
LUIZ SÉRGIO - carta vinda da Petrobrás e no registro do Hotel Sun Valley, em Bonfim-ba..
LUIZ VANNI - Na mala direta da Bocatti de Caxias do Sul.
LULA SANGUOVANNI - no mural do site www.terradodivino.com.br
MICKELY SAN GIOVANNI - revista Conquista News - nº 3 (Michele Sangiovanni)
MICLENE GUISEPPE - no certificado de dispensa do exército - Bruno (Michele Giuseppe)
PANGEOVANE - Na carta enviada pela Zebu
S. GIORCANNI – no convite do navio “Francesco Mimbelli”
S. GIOVANI - no registro de um programa de computador
S. NUNES – na lista de documentos do Baneb
SÃ GIOVANI - na carta de um cliente e em um e-mail.
SABAJANE - procurado por um cliente.
SAGIOVANE - em um envelope./Cliente de Maceió.
SAGIOVANI – na lista da Bahiasat.
SAGNIOVANNI - na resposta do provedor Terra
SAGOVANE - no controle do carro
SAIOLOVANNI - Correspondência recebida por Rafael, meu sobrinho.
SAM GEOVANNI – em uma correspondência
SAM GIOVANI - na revista da Pirelli
SAMGEOVANI - Correspondência de uma Prefeitura
SAMUEL - chamado por um cliente.
SAN – na forma rápida.
SAN DIOVANNI - correspondência recebida por Michele
SAN E GIOVANI - No corpo de uma nota fiscal.
SAN GENARO - chamado por um cliente
SAN GEONAVANI - por uma amiga de Carla
SAN GEOVANE - na portaria da Profertil
SAN GEOVÂNI – em uma agenda telefônica
SAN GERALDO - chamado pelo preposto da PM Antas
SAN GEWALIO - Em um email de cliente
SAN GIO VANI - na inscrição de Juliana
SAN GIONAVI - na observação de uma nota fiscal da Cummins Leste
SAN GIOVANNE - em um fax orçamento
SAN GIOVANNI – na caneca do festival de chope de Poções/Passagem da Gol
SAN JEOVANE – em um fax recebido e na receita do remédio.
SAN JOUANE - em email para Carla
SAN JIOVANE – na carta enviada por um cliente
SAN JOAQUINE - na fatura de serviços.
SAN JOVANE – no cadastro da Polidiesel
SAN JUAN - chamada pela professora de português de Carla
SAN JULIANO - pelo gerente da Svedala.
SAN JUNVHÂNIO - de uma carta recebida por Marcelo
SAN MARINO – confundido pelo personagem da novela Andando nas Nuvens.
SAN ROVANE - Na correspondência recebida por Bete.
SANDIOVANNI - em um orçamento
SANDOVAL - na avaliação da academia de Ricardo
SANDROVAN - Pelo dono da Pontual Transportes
SANGELVANE – no manifesto de carga de uma transportadora
SANGELVANI – fax recebido de Maceió
SANGELVANIO - bilhete escrito por um cliente de Aracaju
SANGEOVANE – um orçamento recebido.
SANGEOVANI – em um lembrete de correspondência
SANGEOVANIO - em um fax vindo de Petrolina
SANGEOVANNE - na assinatura da Sky.
SANGEOVANNI – na carta enviada por um cliente
SANGEOVANNY - Em um email da Construtora Franco Araújo
SANGEOVANO – na ficha médica de Carla.
SANGERANIO - Por um Residente do Derba
SANGEVANE - em um bilhete
SANGGIAVANI - no email da Vipal
SANGGIOVANI – no bilhete recebido por Marcelo
SANGGIOVANNI – no crédito de uma fotografia publicada no jornal A Tarde
SANGIAOVANNI – numa autorização de seguro da Sul América.
SANGIAVANNI – em um contrato
SANGIO SVANIO - em um fax
SANGIOAVANNI - no cartão do Hiper
SANGIOBANNI - no registro da reserva no Hotel Renaissance
SANGIOFANNI – no cartão de embarque da Lufthansa
SANGIONANNY - no envelope de revelação fotográfica
SANGIONAVE - no envelope de uma correspondência
SANGIONI – chamado por seo Monteiro.
SANGIONNI - na abertura de uma Ordem de Serviço na Technico, de 1997
SANGIONVANI - na ordem de serviço da Ibéria Transportes
SANGIONVANNI - de uma correspondência de cliente
SANGIOPVANNI - na observação de uma nota fiscal
SANGIORVANNI – quando apresentado por um colega de trabalho.
SANGIOVA - Na mala direta do comprafacil.com
SANGIOVALLE – registro do Sun Valley Hotel em Sr. do Bonfim – Bahia.
SANGIOVAMI - correspondência enviada pelo Senac
SANGIOVANCIO - chamado por um amigo
SANGIOVANEM - na etiqueta dentro do computador
SANGIOVANI – na conta de água da Embasa
SANGIOVANIN - no cadastro de Bete na Insinuante
SANGIOVANN – no boleto do Itaú.
SANGIOVANNGI - na agenda de um celular
SANGÍOVANNI - no convite de encerramento de Carla, no Vieira
SANGIOVANNIN – em um álbum de fotografias
SANGIOVANNY – em um bilhete.
SANGIOVANY - em correspondência.
SANGIOVARDI – de uma correspondência
SANGIOVARNO – de uma mala direta.
SANGIOVAURI – na nota fiscal do computador.
SANGIOVAVANNI – na carta da Novaterra
SANGIOVONI - no convite de casamento.
SANGIVANNI - em um fanzine da Facom.
SANGLOVANI - na ficha de um hotel, em Lençóis
SANGNOVANNI - revista Alô Bahia - nº 107
SANGOFHNNI – no cartão de embarque da VARIG
SANGOIANI – na requisição médica
SANGOIVANNI - na nota fiscal do Hotel em BH
SANGOVANE - Em um envelope
SANGROVANNI - no boleto da internet
SANGUINETTI – chamado pelo português do Gás
SANGUIOVANI - cartão enviado para meu pai / No envelope do convite de Daniel
SANGUIRANI - chamada pela professora de Carla
SANGYOVANY - na escola de Juliana.
SANJELVANE - em um orçamento.
SANJEOVANE – nos orçamentos da Cadil.
SANJIONANI - na cotação da Sérvia
SANJIOVANE - Na agenda de reunião de Bruno na PM Ituberá
SANJIOVANI - em um orçamento
SANJOVALDO - em um recado deixado na secretária do celular
SANJOVANY - em uma correspondência
SANNGIOVANE - a agenda do celular de um amigo
SANNGIOVANI - na ata de reunião da Sibra / Email vindo de Technico Norte
SANNGIOVANNI - na biblioteca do colégio de Carla
SANNJIOVANI - no sedex vindo de Petrolina.
SANQIOVANNI - mensagem recebida pela internet
SANQUIOVAN - mensagem recebida pela internet
SANQUIOVANNI - Pela internet
SANSILVAR - funcionário da PM Wenceslau Guimarães ao buscar uma peça
SANSIOVANNI – no carnê da prestação do carro.
SÃO GEOVANE - em um envelope e em um bilhete.
SÃO GERÔNIMO - no envelope de correspondência
SÃO GIOVANNI Assistência Técnica de Empilhadeiras - Carta enviada pelo cliente
SAÕ JOVANI - Em um e-mail
SARGENTO GIOVANNI - por uma pessoa procurando de emprego.
SARGIOVANI – no cartão de embarque da Nordeste.
SAUGIOVANI -em um fax proposta
SAVASTRANO - pelo comprador da Embasa.
SÉRGIO VANE - chamado pelo porteiro da Ferbasa.
SERGIVAM - por cliente solicitando informação.
SHANGEOVANI - envelope correspondência recebida por Marcelo
SNAGEOVANE - no fax de um fabricante
SNAGIOVANNI - no pedido da Cimento Nassau
SNGIOVANI - na lista para distribuição das cocadinhas de cacau
SONGEOVONI - No convite para uma festa
SONGIONE – no bilhete da Transbrasil
SONGIOVANI - no bilhete escrito pelo porteiro
SONGIOVONNI - na campanha de Ricardo para a presidência do grêmio do CAV
TCHANTCHANI - apelido de Rafael na escola porque alguns não acertavam a outra forma
TCHANTCHANTCHANI - apelido de Rafael na escola
TONHEGIOVANI - Chamado por um cliente
WILL SANGIOVANI – no bilhete da Vasp
ZÉ GIOVANI - chamado por um cliente

Eduardo Sarno
07.06.2009

05 julho 2009

Doces e Conservas

Em função do rigoroso inverno, desde longa data as famílias européias se obrigam a dominar as técnicas primárias de conservação de alimentos. A busca de condimentos que, além do sal, conservassem e dessem sabor, motivou em parte o ciclo das grandes navegações, em busca das especiarias orientais.
Os italianos em Poções, imbuídos deste traço cultural, procuravam transformar, de maneira artesanal e familiar alguns alimentos perecíveis em conservas duradouras.
No quintal da casa de Corinto Sarno, havia um pequeno cercado com um ou dois porcos para serem engordados. Os restos de comida iam para eles e com curiosidade acompanhávamos o crescimento daqueles animais sem graça, que roncavam e fuçavam a lama.
Quando meu pai achava que era chegado o dia do sacrifício iniciavam-se os preparativos. Vitalino vinha do Armazém Sarno com outro “camarada”- como meus tios chamavam os ajudantes- em Poções também conhecidos como “chapas”. Eles afiavam calmamente uma grande “peixeira” (1) na pedra de amolar, jogando água para o fio ficar doce. No fogão à lenha que ficava no quintal de cima, Joaninha, a empregada, já havia colocado um grande caldeirão com água para ferver. Lenha tinha em abundância no chamado “quarto da lenha”, onde havia também um monte de carvão que, certa feita, durante um aniversário, eu Carlito e Luizito tocamos fogo, criando um pandemônio.
No meio do quintal havia um cimentado, uma espécie de “altar” para sacrificar porcos, e para lá ele era levado, sob protestos e altos berros. Para nós era um contraste a gritaria que o porco fazia antes e o silêncio em que ficava depois. Vitalino, segurando-o firmemente pelas orelhas e com os pés já amarrados, encostava primeiro a ponta e depois enterrava toda a lâmina da peixeira no pescoço do bicho, procurando atingir a jugular. Para não ter de introduzi-la outra vez ele preferia agilmente tentar fazer com que a lâmina remexesse dentro do talho.
O sangue que jorrava era cuidadosamente aparado por nós em uma panela com vinagre e mexido com uma colher de pau, para não qualhar. Era para fazer o “sanguinaccio”(2), um delicioso doce onde até o caldeirão usado era depois disputado por nós para ver quem o lambia. Depois de pronto e despejado em diversos pratos o doce era guardado à chave. Fazia parte do ritual social mandar um prato de “sanguinaccio” para cada tia. O segredo do doce estava em seus ingredientes: leite,maizena, chocolate, açúcar, castanha, uva passa , casca e caldo de laranja . A receita que tia Giuseppina fazia levava arroz, o que era uma variante. Uma outra variante inusitada foi no dia em que mandaram eu ir buscar açúcar na Casa Sarno, que na época vendia secos e molhados. Ao invés de apanhar o açúcar peguei o sal, que tinha embalagem semelhante, de papel, que era feita na própria loja. Depois que colocaram o sal no “sanguinaccio” ninguém acreditou que eu não havia feito de propósito e o castigo foi ficar preso em um minúsculo sanitário das empregadas, onde peguei no sono.
Finda a sangria iniciava-se o péla-porco: jogava-se a água fervendo na pele, e os “camaradas” raspavam todo aquele pêlo duro com as peixeiras e depois esfregavam caco de telha para a pele ficar bem limpa. Nas dobras onde era difícil raspar se chamuscava com fogo de palha. Os cascos eram arrancados depois de aferventados com água quente, mas o rabicho ainda ficava lá.
Um corte então era feito do pescoço ao ânus e o peito era aberto a machadadas. Com perícia retiravam-se os intestinos, tendo o cuidado de extirpar o fel que, se rompido, iria estragar toda a carne. As tripas eram todas limpas, aferventadas, raspadas e reviradas, pois serviriam para fazer a lingüiça. Tudo que ia sendo retirado era repassado para o batalhão de ajudantes, constituído pelas tias, empregadas e nós, a garotada. A carne era moída, condimentada e colocada em enormes gamelas para depois encher as tripas. Usavam-se espinhos de laranjeira para furar as tripas fazendo sair o ar. Quando não se fazia lingüiça, tia Francisca fazia uma tripada famosa. As lingüiças (3) ficavam penduradas na despensa, com proteção contra os ratos, até estarem curtidas e prontas para se comer. A cabeça – ou fuçura – do porco era rachada a machado e Vitalino levava para ele juntamente com a buchada.

sopressata
Vitalino também abatia porcos por conta própria. Nestas ocasiões minha mãe era avisada e nos mandava buscar o sangue. E lá vínhamos nós pelas ruas, um segurando o caldeirão e outro mexendo o sangue com a colher de pau, num espetáculo dantesco e inusitado!
Na época em que, na fazenda Caititú, da Firma V.Sarno & Irmãos, havia grande produção de marmelo e a nossa despensa estava cheia, marcava-se um dia para se fazer o doce de corte. Joaninha, primeiro colocava os marmelos para cozinhar em um grande tacho de cobre, no fogão à lenha, e depois eram passados em grandes peneiras de palha. Em seguida, aquela pasta voltava ao fogo, onde borbulhava sob intenso calor. As empregadas mexiam sem parar com enormes colheres de pau, ao tempo em que se misturava o açúcar na mesma medida da pasta. Quando ficava no ponto era então despejada em fôrmas de alumínio que tinham a forma de peixe, cacho de uva ou simples retângulos. Depois de resfriada retirava-se das fôrmas, passava-se álcool e os doces eram revestidos de papel impermeável e transparente – celofane – e guardados no armário da despensa.
No quintal havia um grande forno à lenha, onde se fazia pão e principalmente “fresa”(4), um tipo de pão seco, redondo com um furo no meio, de grande durabilidade, que comíamos amolecendo em um caldo que tivesse azeite e temperos. Com a fresa ou com pedaços de pão dormido era feito o “panicottu” (5), onde o caldo era quente e continha ovos, tomate e muito alho cortado.
Junto a este forno havia uma torradeira de café que consistia em um cilindro de ferro que era aquecido a lenha. Com uma manivela fazíamos o cilindro rodar, para não queimar o café. Os grãos vinham da fazenda e haviam passado pelo Armazém Sarno, onde as “catadeiras”, também chamadas de “pianistas” (6) já haviam manualmente feito a limpeza. Depois de torrados, os grãos eram moídos em uma máquina que ficava na despensa. Ela, por ampliar a rotação através de engrenagens, permitia que nós também moêssemos o café, girando a manivela com as duas mãos. O café era tipo exportação, de primeira qualidade, e o cheiro era tão bom que minha mãe tinha o mau costume de passar café duas vezes com o mesmo pó!

O jenipapo era utilizado para se fazer o licor, que era um sucesso no São João. Minha mãe fazia também licor de uva e de leite.
Para se obter o vinagre havia um pote em que se colocavam bananas ou uvas, e aguardava-se pelo processo natural de fermentação. Depois aquela massa fermentada era coada em um pano e se obtinha o vinagre.
A banana era também cortada de comprido e colocada ao sol para desidratar, sendo comida depois com açúcar e canela. O lugar predileto para se colocar as peneiras com as bananas era sobre o tanque. Por vezes, ao mandar recolher, minha mãe encontrava as peneiras quase vazias, pois havíamos comido as bananas-passa.
Diariamente o leite vinha em abundância da fazenda em grandes latões, no lombo de jegues. Dele era feito a manteiga, a ricota e o queijo cilindró. Havia uma grande cabaça comprida que servia para bater o leite qualhado. Na janela da cozinha ficava pendurada, em um saquinho de pano, a ricota para escorrer o soro.
A conservação dos ovos era mais simples, pois bastava arrumá-los dentro de caixotes, ou potes de barro, entre camadas de areia.
Quando o preço estava baixo, minha mãe comprava alguns “panacuns” (7) de tomate que eram então aferventados, peneirados, e levados novamente ao fogo. Eram depois engarrafados em frascos de boca larga, tendo-se o cuidado de colocar azeite doce por cima, antes de fechá-los, para poder conservar o molho de tomate.
Preparados para um inverno que nunca chegou, os italianos se divertiam em saborear durante todo o ano as delícias das suas conservas.
Quando, já internos em colégios de Salvador, comíamos economicamente um pedaço de lingüiça, que a família havia enviado por algum portador, parecia que, em um fugaz instante, estávamos em Poções.

Eduardo Sarno
Set/98

(1) Peixeira- Facão curto e muito cortante.
(2) Com as variantes dialetais calabresas “sangunazzu” , “sanguinazzu” (Rohlfs-1977).
Na Itália é tradicionalmente preparado na época do Carnaval. O uso do sangue de porco fornece um característico retrogosto ácido. A partir de 1992 a venda de sangue de porco ao público foi proibida na Itália em algumas regiões e o “sanguinaccio” é feito imediatamente após o abate do porco por um açougueiro credenciado.
Minha irmã Noemia, quando vai a Poções e consegue sangue de porco, ela congela, e de volta para Salvador faz o "sanguinaccio", disputado pelos irmãos e primos.
(3) Lingüiça- em Mormanno conhecida como “sopressata” (salame), é um dos produtos típicos da região calabresa. Variantes: “suppressata”, “suprissatta”, “supprezzata” , “supizzata” (Rolfhs-1977) “soppressata”, “soppressato” (Bordo-1880), deriva de “soppressare” : imprensar.
(4) Fresa – ver artigo neste Blog.
(5) Panicottu – literalmente “pão cozido” – com a variante “panicuottu” (Rohlfs), significando também a papa da criança.
(6) Pianistas – ficavam todas sentadas em uma grande mesa, cada uma com seu espaço delimitado e catando os grãos como se estivessem tocando piano.
(7) Panacuns – palavra de origem tupi – grandes cestos de cipó que eram pendurados em cangalhas (armação de madeira) nos jegues.

15 junho 2009

A " Putía" de Giovanni Sola


Giovanni Sola era nosso tio por afinidade. Era casado com Carolina (Lina) Caputo, irmã de Anna Maria (Caputo) Sangiovanni), cunhada de minha mãe Anina Sarno. Mas para todos nós ele era o último tio que tinha vindo da Itália.
Rosto redondo, maxilares largos, braços fortes, olhos pequenos e bem azuis, lembrava o Gepeto, pai do Pinóquio. Nunca perdeu o sotaque nem a admiração pela Itália. O corpo estava aqui, mas a mente estava lá.
Ele era marceneiro de profissão, e os meus tios, que já estavam em Poções há muitos anos, ajudaram a montar a sua marcenaria.
Para surpresa nossa eles chamavam a marcenaria de “putìa”. Sorriamos escondidos, encantados por poder dizer “putinha de Tio Giovanni” na frente de todo mundo, fazendo de conta que tínhamos nos atrapalhado com a pronúncia.
Mas esta não era uma palavrinha qualquer, era um palavrão, no bom sentido. Ela nasceu na Grécia como “apothéke” (armazém, depósito), viajou para a Roma antiga como “ apotheca” (copa, dispensa) , circulou na Toscana como “bottega” (loja) e na Itália como “putighino” (lojinha) , e foi usada pelo dialeto de Mormanno como “putiga” – “ putía” : a marcenaria de Giovanni Sola em Poções !
Nas férias nós tínhamos uma escolha a fazer: ajudar na loja de tecidos e ferragens ou na “putìa” de Giovanni. Enquanto Pepone e José Fidelis escolheram a loja eu escolhi ajudar tio Giovanni.
Eu ia para lá todos os dias. E via chegar aquelas enormes pranchas de madeiras de lei, cedro, peroba, jacarandá, que tinham sido serradas por dois camaradas que ficavam operando uma grande serra manual em frente à Usina de Arroz de Fidelis. Eles armavam um jirau, onde apoiavam a tora, e enquanto um ficava em cima segurando a serra outro ficava em baixo e a grande serra ia e vinha fazendo o seu trabalho.
Giovanni havia trazido da Itália seus instrumentos de trabalho menores e seus catálogos de móveis. As serras, formões, esquadros, réguas e plainas ficavam penduradas na parede. Muitos destes instrumentos eram desconhecidos dos marceneiros locais que trabalhavam no Beco dos Artistas, em cuja esquina ficava a “putìa”.
Os catálogos eram cuidadosamente mostrados aos clientes e sentia-se um certo orgulho de tio Giovanni por saber confeccionar todos aqueles bonitos móveis. Não era um estilo antigo, rebuscado, nem tampouco um estilo moderno, despojado. Era um estilo, digamos, utilitário, funcional, sólido, com enfeites no limite do necessário.
Com destreza ele fazia e montava cuidadosamente todos os encaixes, lixava à perfeição e preparava no fogo a química da cola e do verniz. Aquele cheiro, misturado com o da madeira deixava a “putìa” com um odor agradável. A visão dos cavacos encaracolados saltando da plaina e acumulando-se no chão completavam aquela cena artesanal.

Ele tinha também todas as grandes máquinas elétricas: serra, plaina, torno e tupia. A energia na época era fornecida pelo motor particular da Casa Sarno. O motor de Brás Labanca, que atendia a cidade estava quebrado, aguardando um conserto de São Paulo que nunca chegou.
Muito conversador, Giovanni aproveitava todas as oportunidades para um bom papo. Com sotaque carregado e enfático nos gestos, tinha como assunto predileto a comparação entre o Brasil e a Itália. Ele representava o europeu pós-guerra que tudo reerguia através do trabalho. E criticava a pachorra e a ineficiência brasileira que nunca soube o que era guerra.
O intervalo para o lanche era sagrado. Tia Lina trazia da Padaria Vitória, de Antonio Leto um grande pão, partido ao meio, com recheio de fatias de tomate, pimentão e cebola. Comendo e conversando Giovanni passava em revista os seus argumentos pró-Itália.
Sem proteção nenhuma eu respirava diariamente aquele pó que deixava meu nariz entupido e meu cabelo colorido. E varria diariamente aqueles cavacos cacheados, amarelos, vermelhos e escuros.
No final da semana ele me dava alguns trocados, que era a conta certa para comprar gibis e ir à matinê no Cine Santo Antonio, assistir um filme de Tarzan e um seriado do Zorro.
Giovanni nunca voltou para a sua amada pátria. Viveu até o fim com suas inesquecíveis lembranças italianas. A bem dizer, nunca saiu da Itália.

Eduardo Sarno
Junho/02

10 junho 2009

Rua da Itália

Rua da Itália
Não foi sempre assim que ela foi chamada. Antes era Rua João Pessoa. E a rua, com esse nome, não era calçada. Os passeios eram altos e com a chuva a enxurrada descia forte, e tentar detê-las, com nossas barragens de barro improvisadas no meio-fio era um trabalho que demandava todas as nossas forças, depois das aulas na Escola Alexandre Porfírio.
Toda meninada participava da construção da barragem, trazendo o barro, pedaços de madeiras e pedras. Olhares atentos e mãos ágeis tapavam de pronto os rompimentos que eram constantes.
A enxurrada sempre vencia, mas nem por isso conseguia tirar o nosso prazer. E era um sempre recomeçar, mesmo que, covardemente, esperássemos o final da chuva, quando a enxurrada era menor. Além disso, tinha os barquinhos de papel.
Exemplares antigos de “A Cigarra” e “O Cruzeiro”, revistas ilustradas, forneciam as páginas que eram usadas para confeccionar os barquinhos. Dobra aqui, dobra ali e lá se ia o barquinho descendo na enxurrada. Nas laterais a figura do “Amigo da Onça” ou Getulio Vargas, todo engravatado, apertando a mão de alguém. O destino era o grande bueiro coberto de trilho na esquina do Beco dos Artistas , no final da rua, onde o barquinho desaparecia.
Na rua, as únicas casas de brasileiros era a do Pastor e a de Miguel Lopes, onde antes já havia sido residência do coletor Dr. Macedo e posteriormente do Juiz Dr. Eurico Alves Boaventura. A maioria das casas era de italianos, meus tios. Vivíamos em clima de intimidade indescritível, pois podíamos entrar em qualquer casa, sem cerimônias, principalmente nos quintais.
Depois veio o calçamento, a grande realização do Prefeito Dr. Aloísio Euthálio da Rocha. Para nós, foi o começo do fim. Adeus enxurradas com barragens. Adeus fogueiras de São João, quando o sufoco gostoso da fumaça nos fazia arder os olhos, e nem por isso deixávamos de ser felizes.
A Rua da Itália era passagem obrigatória da procissão e da Cavalhada na Festa do Divino. E aos sábados, desde cedo por ali passavam os mateiros e catingueiros, indo e vindo para a feira. Durante toda a semana era a vez de Arlindo Aguadeiro, com seu jegue e carotes trazendo água, vindo de Cachoeirinha, distante uma légua boa. E só não passavam os enterros porque o cemitério ficava do outro lado da cidade.
Na rua tinha o Cine Glória, o Fórum, a Tipografia e a Igreja Batista, que era chamada “dos crentes” ou de seu Alcides Batatinha, que era o pastor.
Com o calçamento, o passeio ganhou ladrilhos, colocados pelos moradores. E passear por ele nas noites frias, depois do jantar, era um prazer sem limites. Meu pai o fazia constantemente, e muitas vezes com minha mãe.
No começo da noite, o ponto do papo era normalmente a varanda em frente, de tio Valentim, ou a nossa. Lá marcavam encontro os amigos e os primos. Um deles, Fidelis do Arroz, sempre conversava sem tirar o cigarro da boca, e nos deixava tensos, aguardando a hora em que aquela enorme cinza iria cair na sua roupa, o que não acontecia. Irineu passava o dia procurando uma piada para contar à noite. E, entre risos, o papo se estendia noite adentro sob o céu estrelado.
Vultos trajando capa colonial passavam por nós. Rostos avermelhados, chapéu de massa na cabeça, lá se iam os italianos jogar "Três Sete” na garagem da casa de tio Luis. Entre eles, inconfundível, José Domarco, de chapelão e capa. Como iam, vinham, e já era então a hora do silencio se instalar na rua.
Brás Labanca, o dono do motor da cidade, depois que dava três sinais, apagando e acendendo as luzes, desligava a energia, deixando a rua e a cidade às escuras.
Como se num teatro, surgem dos bastidores os guardas noturnos, atores da madrugada. O som do apito lamuriento já ouvíamos com a cabeça no travesseiro e, ao mergulhar naquela sonolência, tínhamos uma sensação de segurança, conforto e eternidade.
A placa nova chegou num dia de muita festa: "Rua da Itália". No discurso, o Prefeito falou da gratidão da cidade pelo trabalho dos italianos para o progresso de Poções, que também já foi chamada de Djalma Dutra; a placa está lá até hoje. Quem saiu foram os italianos. Imigraram para Salvador, desta vez atrás dos filhos, netos e bisnetos.

Eduardo Sarno
Março/2001